Quais são os tratamentos não farmacológicos para depressão?

Estimulação Magnética Transcraniana repetitiva
                A estimulação Magnética Transcraniana é um tratamento não medicamentoso para a depressão unipolar e bipolar e outras indicações em doenças psiquiátricas. É considerada uma terapia biológica não farmacológica. Existem outras terapias biológicas não farmacológicas. Ex:
 (1) Estimulação Magnética Transcraniana profunda. A estimulação profunda penetra no crânio em até 8 cm atingindo regiões mais profundas do cérebro. No Brasil é liberada apenas para estudo e não para uso terapêutico. Ainda carece de evidências científicas mas os resultados iniciais são promissores.
(2) A Estimulação Transcraniana  por Corrente Contínua. Com maiores riscos potenciais do que  a repetitiva.
(3) Eletroconvulsoterapia. A eletroconvulsoterapia é realizada apenas em um centro cirúrgico, sob anestesia geral. Além disto, o relaxamento muscular, que deve ser potente, pode inibir a musculatura da respiração. Para evitar parada cardiorrespiratória é preciso usar respiração mecânica.
                O procedimento consiste em provocar uma convulsão generalizada (do tipo tônico clônica). A duração da convulsão é de 20 a 150 segundos. Existe o risco de entrar em estado de mal epilético. O estado de mal epiléptico é caracterizado por uma convulsão de duração acima de 30 minutos ou várias convulsões que mantenham o paciente inconsciente por pelo menos 30 minutos.
                A convulsão é produzida por uma corrente elétrica que atravessa o cérebro. O sintoma mais importante é uma amnésia normalmente reversível cujos resíduos podem se manter por meses.
                Os riscos do procedimento são vários tais como: (1) Estado de mal epiléptico, (2) riscos de uma anestesia geral,  (3) riscos de um relaxamento muscular que atinge a musculatura da respiração, necessitando de respiração mecânica.
                A eficácia tem sido comprovada extensamente pela literatura científica, mas os riscos são reais, por isso reservada para indicações onde nenhum outro método é possível.
(4) Estimulação Profunda do Cérebro. Neste processo, são implantados dois eletrodos nas regiões do núcleo accumbens e córtex cingulado. Duas regiões que uma vez estimuladas pode melhorar os sintomas da doença (resposta) ou mesmo suprimi-los (remissão).
                Os eletrodos são ligados, cada um à uma bateria implantada no tórax, que envia pulsos elétricos aos eletrodos que estimulam as regiões cerebrais aonde estão implantados. É eficaz na maior parte dos casos, mas reservado aos casos em que nenhuma das modalidades de tratamento funcionam.
(5) Estimulação do Nervo Vago. A ideia é estimular um nervo que levará o estímulo ao cérebro. O método apresenta alguma melhora especialmente nas escalas de auto preenchimento. É mais utilizada no tratamento de epilepsia. A resposta é pouco expressiva no tratamento da depressão, o que não justifica o seu uso, embora seja aprovado pelas agências reguladoras nos Estados Unidos e na Europa.
(6) A Estimulação Magnética Transcraniana Repetitiva é chamada de repetitiva porque o pulso magnético é intermitente e não contínuo. Também não é chamada de profunda porque só penetra 3 cm no crânio. É o suficiente  para atingir o córtex, a camada cinzenta externa.
                É um procedimento indolor, não invasivo e sem riscos potenciais. Consiste na aplicação de um campo magnético produzido por uma bobina que ao ser encostada no crânio, induz uma corrente elétrica que atinge o córtex cerebral.
                Esta corrente produz estimulação ou inibição dependendo da frequência com que é aplicada. A potência do campo magnético é aproximadamente a mesma de uma Ressonância Nuclear Magnética com a diferença que o campo magnético é direcionado para uma região específica, pequena e precisa, na estimulação magnética.
                O melhor resultado é obtido com a estimulação do córtex pré frontal dorsolateral esquerdo. Uma vez localizada a região com precisão, inicia-se a estimulação magnética em pulsos. A sessão dura aproximadamente 25 minutos e devem ser repetidas por 20 dias consecutivos, com pausa apenas nos finais de semana.
                O resultado, varia de acordo com a metodologia aplicada, mas de modo geral tem um efeito importante naqueles pacientes resistentes (que não respondem à nenhuma medicação), que tem uma contraindicação formal para uso de medicamentos (gravidez, insuficiência hepática, polifarmácia, etc.) ou que prefiram tratar a patologia sem uso de medicação.